Saúde

Cuidados com o Teu Cão no Verão: Guia Prático

Bicho Mimado · há 1 meses · 9 min de leitura
Cuidados com o Teu Cão no Verão: Guia Prático

O verão em Portugal pode ser brutal para os cães. Temperaturas acima dos 35°C, alcatrão a escaldar e praias lotadas criam riscos reais que muitos donos subestimam. Todos os anos, veterinários portugueses tratam centenas de casos de golpes de calor, queimaduras nas patas e desidratação — muitos evitáveis com cuidados simples. Neste guia, cobrimos tudo o que precisas de saber para o teu cão passar o verão em segurança e conforto.

Golpe de Calor: O Perigo Número 1

O golpe de calor (hipertermia) é a emergência mais grave do verão e pode ser fatal em minutos. Os cães não transpiram — regulam a temperatura corporal através da respiração ofegante (arfar), o que é muito menos eficiente do que a transpiração humana. Quando a temperatura ambiente é alta e a humidade elevada, este mecanismo falha.

Os sinais de alerta incluem: respiração muito rápida e ofegante, salivação excessiva, língua muito vermelha ou azulada, desorientação, vómitos, diarreia e, em casos graves, colapso e convulsões. Raças braquicéfalas (Bulldog Francês, Pug, Boxer, Shih Tzu) são especialmente vulneráveis porque já têm dificuldade respiratória mesmo em condições normais.

Se suspeitares de golpe de calor, age imediatamente: leva o cão para a sombra, aplica água fresca (não gelada) no corpo — especialmente na cabeça, pescoço, axilas e virilhas — e vai ao veterinário de urgência. Não esperes para ver se melhora. O golpe de calor pode causar danos irreversíveis nos órgãos em apenas 15 minutos.

Sinais de Golpe de Calor

Respiração
Muito rápida e excessivamente ofegante
Língua
Vermelha escura ou azulada
Comportamento
Desorientação, falta de coordenação
Salivação
Excessiva, espessa
Casos graves
Vómitos, diarreia, colapso
Ação imediata
Sombra + água fresca + veterinário

Horário dos Passeios: Evita o Calor

A regra de ouro no verão é simples: evita passeios entre as 11h e as 16h. Nestas horas, o alcatrão pode atingir temperaturas de 60-70°C — o suficiente para causar queimaduras graves nas almofadas das patas do teu cão.

Faz o teste da mão: coloca o dorso da mão no chão durante 7 segundos. Se não conseguires aguentar, está demasiado quente para o teu cão andar.

Os melhores horários são antes das 9h da manhã e depois das 20h. Se tiveres de sair em horas intermédias, procura percursos com sombra, relva ou terra. Leva sempre água fresca e uma tigela portátil.

Os passeios de verão devem ser mais curtos e menos intensos. Se o teu cão adora correr, reserva a atividade para a manhã cedo ou para depois do pôr do sol. Nunca forces o exercício — se o teu cão parar e se deitar, respeita o sinal.

Hidratação: Mais Água do que Pensas

No verão, o teu cão precisa de beber significativamente mais água do que o habitual. A regra geral é que um cão deve beber entre 50 e 100 ml de água por quilograma de peso por dia — mas no calor, este valor pode duplicar.

Tem sempre água fresca disponível em casa, em mais do que um ponto. Quando saíres, leva uma garrafa e uma tigela portátil. Existem garrafas com dispensador integrado que são muito práticas para passeios.

Sinais de desidratação: pele que demora a voltar ao lugar quando puxada (teste do turgor), gengivas secas ou pegajosas, letargia e olhos encovados. Se detetares estes sinais, oferece água em pequenas quantidades e procura um veterinário.

Truques para encorajar a hidratação: adiciona alguns cubos de gelo à tigela, faz gelados caseiros com caldo de frango sem sal, ou congela brinquedos kong com pasta de amendoim diluída em água.

Praia e Piscina: Regras e Cuidados

Em Portugal, a legislação sobre cães na praia varia por município. Na maioria dos concelhos, os cães são proibidos nas praias concessionadas durante a época balnear (junho a setembro). No entanto, existem praias pet-friendly e praias não vigiadas onde os cães são permitidos.

Algumas praias oficialmente pet-friendly em Portugal incluem opções no Algarve, na Costa Vicentina e no litoral norte. Verifica sempre a sinalização local e as regras do concelho antes de ir.

Cuidados na praia: a areia quente queima as patas — molha o cão antes de brincar; a água salgada irrita a pele se não for lavada — dá um banho de água doce depois da praia; não deixes o cão beber água do mar — causa vómitos e diarreia; leva sombra (chapéu de praia ou toldo) e água doce fresca.

Na piscina, nem todos os cães sabem nadar naturalmente. Raças com corpo pesado e patas curtas (Bulldog, Dachshund, Basset) podem ter dificuldade. Nunca deixes o cão sozinho perto de uma piscina e ensina-o onde ficam as escadas ou rampas de saída.

NUNCA Deixes o Cão no Carro

Parece óbvio, mas todos os anos morrem cães dentro de carros em Portugal. Mesmo com as janelas ligeiramente abertas, a temperatura dentro de um carro ao sol pode subir de 25°C para 45°C em apenas 20 minutos. Ao fim de uma hora, pode ultrapassar os 60°C.

Não importa se é só por cinco minutos. Não importa se estacionaste à sombra (o sol move-se). Não importa se deixaste as janelas entreabertas. O interior de um carro ao sol é uma armadilha mortal para qualquer animal.

Se vires um cão preso num carro ao sol em sofrimento visível, liga para a GNR (213 217 000) ou para os bombeiros. Em caso de emergência evidente, a lei portuguesa permite a intervenção para salvar o animal, desde que chames as autoridades.

Parasitas: Verão é Época Alta

O verão é a estação mais crítica para pulgas, carraças e mosquitos. As temperaturas elevadas aceleram o ciclo de vida destes parasitas e aumentam exponencialmente o risco de infestação.

A desparasitação externa deve estar rigorosamente em dia. As opções mais comuns são: pipetas (aplicação mensal, 8-15 euros), coleiras antiparasitárias (proteção de 6-8 meses, 25-45 euros) e comprimidos orais (mensal ou trimestral, 15-30 euros por dose).

As carraças são particularmente perigosas em Portugal porque podem transmitir a babesiose e a erliquiose canina — doenças que podem ser fatais se não tratadas. Depois de cada passeio no campo ou em zonas com vegetação alta, inspeciona o teu cão — especialmente orelhas, axilas, virilhas e entre os dedos.

Os mosquitos transmitem a leishmaniose, endémica no sul de Portugal. Se vives ou viajas para o Alentejo ou Algarve, fala com o teu veterinário sobre a vacina contra a leishmaniose e usa repelentes específicos.

Alimentação e Proteção Solar

No verão, muitos cães comem menos — é normal. O calor reduz o apetite. Não forces a alimentação, mas garante que come o suficiente. Algumas dicas: serve a ração nas horas mais frescas (manhã cedo e noite), mantém a ração seca bem armazenada (o calor degrada-a mais rapidamente) e, se o teu cão come ração húmida, não a deixes fora do frigorífico mais de 30 minutos no verão.

A proteção solar é necessária para cães com pelo claro, pele rosada ou zonas sem pelo (nariz, orelhas, barriga). Existem protetores solares específicos para cães — nunca uses protetor solar humano, pois contém ingredientes tóxicos como o óxido de zinco. Aplica nas zonas expostas antes dos passeios.

A tosquia parece lógica, mas cuidado — o pelo dos cães funciona como isolamento térmico, protegendo tanto do calor como do frio. Uma tosquia excessiva pode na verdade aumentar o risco de insolação. Pede conselho ao tosquiador sobre o comprimento adequado para a raça do teu cão.

Encontra um veterinário perto das tuas férias

Pesquisar no Diretório

Artigos Relacionados