Saúde

Vacinação de Cães e Gatos em Portugal: Guia Completo 2026

Bicho Mimado · há 1 meses · 8 min de leitura
Vacinação de Cães e Gatos em Portugal: Guia Completo 2026

A vacinação é um dos cuidados mais importantes que podes dar ao teu cão ou gato — e em Portugal, algumas vacinas são obrigatórias por lei. Mas entre vacinas obrigatórias, recomendadas e opcionais, é fácil ficar confuso com tantas siglas, protocolos e preços diferentes. Neste guia, explicamos tudo o que precisas de saber: quais as vacinas essenciais, quando as dar, quanto custam em média nas clínicas portuguesas, e o que acontece se não vacinares o teu animal.

Vacinas Obrigatórias em Portugal

Em Portugal, existe apenas uma vacina legalmente obrigatória para animais de companhia: a vacina antirrábica para cães. Desde 2002, todos os cães com mais de 3 meses devem ser vacinados contra a raiva, e o reforço é obrigatório a cada 1 a 3 anos conforme a vacina utilizada (a maioria das clínicas faz reforço anual). A vacinação é registada no boletim sanitário e no Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC).

A não vacinação contra a raiva constitui uma contraordenação que pode resultar em multas. Além disso, sem a vacina da raiva atualizada, o teu cão não pode viajar dentro da UE, frequentar hotéis para cães nem participar em exposições ou provas.

Para gatos, a vacina antirrábica não é obrigatória por lei em Portugal, embora muitos veterinários a recomendem — especialmente para gatos que saem à rua ou que viajam com os donos. Para viajar com o gato dentro da UE, a raiva passa a ser obrigatória.

Preço médio da vacina antirrábica: 25 a 35 euros.

Vacinas Recomendadas para Cães

Além da raiva obrigatória, o protocolo vacinal standard para cães em Portugal inclui a chamada vacina polivalente ou multivalente, que protege contra as principais doenças infeciosas caninas.

A vacina tetravalente (DHPPi) protege contra: Esgana (Distemper), doença altamente contagiosa e muitas vezes fatal; Hepatite infeciosa canina (Adenovírus), que ataca o fígado; Parvovirose, uma das doenças mais mortais em cachorros, causando vómitos e diarreias hemorrágicas severas; e Parainfluenza canina, que contribui para a tosse do canil.

Muitos veterinários recomendam também a proteção contra Leptospirose (L4), uma doença bacteriana transmitida pela urina de ratos que pode afetar humanos (zoonose). A vacina que inclui a leptospirose é frequentemente referida como pentavalente ou vacina 7 (consoante os serotipos incluídos).

Outras vacinas recomendadas consoante o estilo de vida: vacina contra a tosse do canil (Bordetella + Parainfluenza) — essencial para cães que frequentam creches, hotéis ou parques caninos; vacina contra a Leishmaniose — especialmente importante em zonas endémicas como o Alentejo, interior norte e Algarve.

Preço médio da vacina polivalente (tetravalente): 30 a 45 euros. Vacina polivalente + raiva: 45 a 55 euros. Vacina da Leishmaniose: 60 a 100 euros (requer teste negativo prévio).

Vacinas Recomendadas para Gatos

O protocolo vacinal standard para gatos em Portugal assenta na vacina trivalente (RCP), que protege contra: Rinotraqueíte felina (Herpesvírus felino tipo 1), que causa infeções respiratórias graves; Calicivirose felina, outra causa importante de doença respiratória e úlceras orais; e Panleucopénia felina (o "parvo dos gatos"), uma doença viral muito contagiosa e frequentemente fatal em gatinhos.

Para gatos com acesso ao exterior ou que convivam com outros gatos, é fortemente recomendada a vacina contra a Leucose Felina (FeLV). A leucose é uma das doenças mais graves em gatos, causada por um retrovírus que afeta o sistema imunitário e pode levar a linfomas. Não tem cura, por isso a prevenção é essencial. Antes da primeira vacina, o veterinário deve fazer um teste rápido para confirmar que o gato é negativo.

A vacina contra a PIF (Peritonite Infeciosa Felina) existe, mas a sua eficácia é controversa e não é amplamente recomendada em Portugal.

Preço médio da vacina trivalente (gato): 30 a 40 euros. Vacina da leucose felina: 30 a 40 euros. Vacina trivalente + leucose: 45 a 55 euros.

Calendário Vacinal: Cão

6-8 semanas
1ª dose da vacina polivalente (DHPPi). Alguns veterinários começam com a vacina Puppy (DP) às 6 semanas.
10-12 semanas
2ª dose da polivalente + Leptospirose (1ª dose). Pode incluir início do protocolo da tosse do canil.
14-16 semanas
3ª dose da polivalente + Leptospirose (2ª dose) + Raiva (obrigatória a partir dos 3 meses) + Microchip.
12 meses
1º reforço anual: polivalente + Leptospirose + Raiva.
Anualmente
Reforço da Leptospirose e Raiva. A polivalente pode passar a cada 3 anos após primo-vacinação correta (decisão do veterinário).
Leishmaniose (opcional)
A partir dos 6 meses, após teste negativo. Protocolo inicial de 1 a 3 doses conforme a marca. Reforço anual.

Calendário Vacinal: Gato

8-9 semanas
1ª dose da trivalente (RCP). Teste de FeLV se vai fazer vacina da leucose.
12 semanas
2ª dose da trivalente + Leucose felina (1ª dose, se recomendada).
16 semanas
3ª dose da trivalente (se necessário) + Leucose (2ª dose) + Raiva (se o gato sai à rua ou vai viajar).
12 meses
1º reforço anual: trivalente + leucose + raiva (se aplicável).
Anualmente
Reforço conforme protocolo do veterinário. A trivalente pode passar a cada 3 anos em gatos de interior após primo-vacinação completa.

Vacinação de Coelhos

Os coelhos domésticos também devem ser vacinados, embora muitos donos desconheçam este facto. Em Portugal, existem duas doenças virais graves e frequentemente fatais para coelhos:

Mixomatose: Transmitida por mosquitos e pulgas, causa inchaço na cabeça e genitais, lesões cutâneas e é quase sempre fatal sem tratamento. Não tem cura, apenas prevenção.

Doença Viral Hemorrágica (DVH): Extremamente contagiosa e com uma taxa de mortalidade superior a 90%. O coelho pode morrer em 24-48 horas sem sinais prévios.

Existem vacinas individuais (mono) e combinadas (mixomatose + DVH). O protocolo habitual começa a partir das 5-10 semanas de idade, com reforço anual.

Preço médio: vacina mono (uma doença) 30 a 35 euros; vacina combinada (mixomatose + DVH) 45 a 55 euros.

Quanto Custa Vacinar em Portugal

Os preços das vacinas variam bastante entre clínicas e regiões. Com base nos dados recolhidos pelo Bicho Mimado junto de dezenas de clínicas portuguesas, estes são os valores médios atualizados para 2026:

Consulta veterinária (onde a vacina é administrada): 27 a 43 euros. Algumas clínicas incluem a consulta no preço da vacina, outras cobram separadamente — confirma sempre antes de marcar.

Vacinas para cães: vacina polivalente/tetravalente: 30 a 45 euros; vacina polivalente + raiva: 45 a 55 euros; vacina antirrábica (isolada): 25 a 35 euros; vacina da Leishmaniose: 60 a 100 euros (inclui teste prévio em algumas clínicas); vacina da tosse do canil: 35 a 45 euros.

Vacinas para gatos: vacina trivalente (RCP): 30 a 40 euros; vacina da leucose felina: 30 a 40 euros; vacina trivalente + leucose: 45 a 55 euros.

Vacinas para coelhos: vacina mono: 30 a 35 euros; vacina combinada (mixomatose + DVH): 45 a 55 euros.

Dica: Muitas clínicas oferecem planos de saúde anuais que incluem vacinas, consultas e desparasitação a um preço fixo mensal. Podem ser uma boa opção para quem quer simplificar e poupar. Consulta o nosso diretório para comparar preços na tua zona.

Mitos Comuns Sobre Vacinação

O meu gato não sai de casa, não precisa de vacinas. Falso. Mesmo gatos de interior podem ser expostos a vírus trazidos nas roupas e sapatos dos donos, ou por contacto com outros animais em visitas ao veterinário. A panleucopénia felina, por exemplo, é extremamente resistente no ambiente e pode ser transportada indiretamente.

As vacinas enfraquecem o sistema imunitário. Falso. As vacinas treinam o sistema imunitário a reconhecer e combater agentes patogénicos específicos. Os efeitos secundários são geralmente ligeiros (sonolência, ligeira febre durante 24-48 horas) e muito menos graves do que as doenças que previnem.

O meu cão já teve parvovirose, logo está imune para sempre. Parcialmente verdade, mas não garantido. A imunidade natural pode diminuir com o tempo, e existem diferentes estirpes do vírus. A maioria dos veterinários recomenda manter o protocolo vacinal mesmo após infeção natural.

Animais velhos não precisam de vacinas. Depende. Embora alguns veterinários reduzam a frequência de certas vacinas em animais seniores, a raiva continua obrigatória e outras vacinas core continuam recomendadas. A imunidade não é permanente e os animais mais velhos podem ter o sistema imunitário menos eficiente.

A vacina da Leishmaniose protege a 100%. Falso. A vacina reduz significativamente o risco de desenvolver a doença (cerca de 70-80%), mas não é uma proteção absoluta. Deve ser sempre complementada com repelentes contra o mosquito-palha (flebótomo) e coleiras com deltametrina.

Efeitos Secundários das Vacinas

A grande maioria dos animais tolera muito bem as vacinas, sem qualquer reação adversa. Quando existem efeitos secundários, são geralmente ligeiros e desaparecem em 24 a 48 horas.

Reações comuns e normais: sonolência ou menor atividade nas horas seguintes; ligeira febre; diminuição do apetite; pequeno inchaço ou sensibilidade no local da injeção.

Reações raras que exigem atenção veterinária: vómitos persistentes ou diarreia; inchaço facial (especialmente focinho e olhos); dificuldade respiratória; colapso ou fraqueza extrema; urticária ou erupção cutânea generalizada.

Estas reações alérgicas graves (anafilaxia) são extremamente raras, mas podem ocorrer — por isso muitos veterinários recomendam ficar na clínica 15 a 30 minutos após a vacina. Se o teu animal já teve alguma reação adversa a uma vacina, informa sempre o veterinário antes da próxima administração.

Caderneta de Vacinação e SIAC

Todos os cães e gatos identificados com microchip em Portugal estão registados no SIAC (Sistema de Informação de Animais de Companhia). O boletim sanitário é o documento onde ficam registadas todas as vacinas administradas, desparasitações e informações de saúde relevantes.

Guarda sempre o boletim sanitário do teu animal num local seguro — vais precisar dele para: viagens dentro de Portugal e para o estrangeiro; estadias em hotéis e creches para animais; inscrição em seguros de saúde animal; adoções ou transferência de propriedade; e em caso de fiscalização pelas autoridades.

Para viagens dentro da UE, é necessário o Passaporte Europeu para Animais de Companhia, emitido por um veterinário autorizado, que comprova a vacinação contra a raiva e a identificação por microchip. Este passaporte substitui o boletim sanitário para efeitos de viagem internacional.

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